'Já começamos a transição', diz Joe Biden apesar da recusa de Trump em aceitar a derrota nas eleições

 

O presidente eleito dos Estados UnidosJoe Biden, afirmou nesta terça-feira (10) que a equipe já começou a transição para que ele tome posse em 20 de janeiro. "Nada vai interromper isso", disse.

Mesmo depois de as agências que monitoram há décadas a apuração das eleições americanas declararem Biden eleito, o governo do republicano Donald Trump se recusa a reconhecer a derrota. A agência que deveria iniciar os procedimentos de transição ainda não começou os trabalhos.

 
 
 
 
 

Maioria dos republicanos ainda não reconhece vitória democrata na eleição presidencial

 "O fato de que eles não querem reconhecer nossa vitória neste ponto não é algo que traga muita consequência ao nosso planejamento", disse Biden.

 

 

Trump alega — sem apresentar provas, por enquanto — que venceu as eleições e que houve fraude na contagem de votos em estados chave como a Pensilvânia. O republicano prometeu entrar na Justiça para reverter o resultado eleitoral, mas, até o momento, nada foi decidido a favor do candidato derrotado.

 
 
 
 
 

Relembre os discursos de ex-candidatos à presidência dos EUA que foram derrotados

Nesta terça, o secretário de Estado, Mike Pompeo, disse que estava pronto para "iniciar a transição para um segundo mandato de Trump". Apesar da declaração do chefe da diplomacia americana, Biden já recebeu telefonemas e mensagens de lideranças mundiais e aliados como Emmanuel Macron, Angela Merkel, Boris Johnson, Benjamin Netanyahu e, mais recentemente, Recep Tayyip Erdogan.

 

 Biden e Harris pedem manutenção do Obamacare

 

 

Biden também criticou nesta terça-feira o questionamento na Suprema Corte sobre o Obamacare feito por políticos do Partido Republicano, com apoio de Donald Trump. Para o democrata, a questão sobre o programa que dá acesso a planos de saúde "não precisa ser algo partidário".

 

"Eu não sou ingênuo sobre o fato de que o acesso a saúde é um assunto que dividiu os americanos no passado, mas a verdade é que o povo americano está mais unido do que dividido sobre esse tema, hoje", afirmou o democrata.

O Obamacare voltou aos debates na Suprema Corte nesta semana a partir de uma ação movida por estados governados pelo Partido Republicano e com apoio do Departamento de Justiça do governo de Donald Trump, que ainda se recusa a aceitar a derrota nas eleições presidenciais.

 

A maioria dos juízes da Suprema Corte foi escolhida por presidentes do Partido Republicano e costumam se opor a medidas como essa. No entanto, dois magistrados conservadores — John Roberts e Brett Kavanaugh, este último selecionado por Donald Trump — já deram sinais de que não derrubarão o programa.

A vice eleita, Kamala Harris, defendeu que o programa seja mantido para garantir o acesso à saúde por americanos que sofrem com doenças pré-existentes, condições que se agravam durante esta pandemia do novo coronavírus. Os EUA passam neste momento pelo pior momento da crise sanitária, com mais de 100 mil casos diários.

 

O Obamacare foi projetado para pessoas que não poderiam pagar planos de saúde. O programa foi aprovado em 2010, é conhecido como o Ato de Saúde Acessível (ACA, na sigla em inglês) e tido como uma das políticas mais importantes da gestão de Obama.

Mais de 20 milhões de americanos têm o seguro com base na lei, incluindo adultos pobres, jovens de 26 anos ou menos que são beneficiados por meio do seguro de seus pais, e pessoas cujas condições médicas preexistentes provocaram a recusa de um plano de saúde comercial.